que mundo é este???
foi quinta-feira, por volta da uma e meia da tarde. Eu estava parada no farol, na Dr. Arnaldo com a Teodoro. Estava super calor, meu carro não tem ar condicionado - a janela estava aberta, óbvio. Parou um menino, doze anos talvez, do lado da minha janela. Ele estava com uma blusa de manga comprida, e tinha uma faca na mão direita.
- Tira a frentinha, tira a frentinha!!!
até eu entender que se tratava da frente do rádio, demorou um pouco. Desencaixei a tal frentinha.
- Brigado.
e saiu.
logo o farol abriu, em 30 segundos eu estava chorando. Fiquei chorando por quarenta minutos. De susto. De medo. De decepção com este planeta, com a sociedade, comigo mesma (afinal de contas, eu faço parte disso e não mexo um dedo pra tentar mudar qualquer coisa que seja). Dói saber que existem tantas crianças com facas e armas na mão. Egoistamente, dói saber que poderia ter sido muito pior. Dói ter a certeza, lá no fundo, de que tudo só tende a piorar, cada vez mais. Dói saber que eu sou covarde, que a única solução egoísta que eu vejo pro meu futuro é exercer minha profissão em outra parte do mundo, dói eu saber que não consigo nada mais que fechar os olhos pra continuar sobrevivendo. Dói pensar que vou atender muitos ladrões e assassinos nos pronto-socorros públicos por aí, dói pensar que eu não gostaria de deixar de atender populações carentes e que, as atendendo, corro o risco de ser apunhalada pelas costas, como tantos foram, são e serão. Desanima. Que vidas que eu vou ajudar a manter? Que vidas eu vou ajudar a nascer na maternidade ano que vem? Como sempre, é melhor não pensar, é melhor ser ovelhinha e cumprir minha função, antes que eu me descubra responsável e culpada por coisas muito piores.
Nenhum comentário:
Postar um comentário