quinta-feira, março 17, 2005

Amargo. Sabe como é? Estranho como uma lembrança pode azedar assim. Sinestésicas reminiscências de algo que poderia ser grande. Talvez até venha a ser. Mas não como antes. O que era apenas doce, um sorriso sincero com os olhos voltados para cima, agora é amargo, com gosto de desconfiança e jeito de filme que acaba mal. É estranho como o saber é doloroso, ainda mais saber o que não foi dito, apenas pressentido, pelo saltar das sílabas que ficaram presas nos lábios de quem não perguntou e de quem não quis confirmar...
Será possível construir algo sólido a partir da amargura? É plausível dizer que há perdão e esquecimento, quando a loucura parece querer chegar mais e mais perto? E tantas outras memórias começam a ser questionadas e eu passo a querer, desesperadamente, uma máquina do tempo, ou uma técnica de hipnose capaz de destruir seletivamente uma sinapse doída. E como dói...

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