sexta-feira, maio 06, 2005

Ontem, enquanto lia o Kaplan (sim, aquela coisa enorme de psiquiatria), passou uma moto. Sabe quanto o motorista resolve acelerar tanto e tanto que o bairro inteiro escuta sua passagem?? Foi assim que começou a pensamentear o pensamento, e pensamenteou dançantemente pois a aula de ballet foi especialmente boa. E pensei sobre o motoqueiro, que talvez estivesse triste, estivesse puto com a vida, e tentava apenas transferir sua angústia para o motor de sua moto. Talvez ele quisesse dar um recado ao mundo, como o assoviador da novela, talvez ele quisesse apenas declarar seu amor... E assoviar ou acelerar podem ser, quem sabe, pura e simplesmente uma comunicação ineficaz, como muitas vezes as palavras o são - quando não queremos ouvir, quando falamos precisamente no momento certo de calar. É estranhamente possível haver poesia nos ruídos, extremamente plausível haver algo oculto no coração de quem acha que não sabe fazer poesia alguma...

3 comentários:

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

uau

da. disse...

..e no entanto há tanta poesia assim tão escondida..e esquecida..