terça-feira, fevereiro 17, 2009

"Eu tenho um sonho..."

Na verdade eu tenho vários.... mas um, em especial, está me deixando um pouco triste, ultimamente. Porque eu tenho tão poucas chances de realizá-lo e depende tão pouquíssimo (ou quase nada, ou até mesmo independe) de mim....
Eu tenho um sonho de crachá amarelo e azul, se é que isso é compreensível de ser sonhado de onde eu venho. Na verdade muito pouco ou nada compreensível, especialmente nos últimos anos quando ninguém tem sonhado com isso. E eu tenho tantos pontos contra mim que esse sonho beira o ridículo. E o principal fato contra mim vem de uma característica tão facilmente notável neste tão velhinho blog: muito mais polêmica que política. Essa seria minha definição neste campo particular de que falo. Um pouco por tipo, muito por convicção. Eu detesto injustiça apesar de, uma vez ou outra - como todo mundo - praticar algumas, e deixo isso bem claro. Eu, se não falo mais o que penso como antigamente, pelo menos transpareço - o que não é nada político. Eu sou uma revolucionária, sonhadora, romântica - o que não parece nada prático (apesar de eu ser bem prática, na prática). Eu não sou muito simpática, na verdade. Eu gosto de quem eu gosto, e ponto. Defendo idéias bizarras como, por exemplo, um conforto confortável (quanta insolência....). E ainda por cima sou Filha de Arnaldo. Ou seja, contra-indicada ao crachá amarelo e azul.
Mas eu tenho um sonho de poder melhorar um pouquinho coisas tão ruins quanto dias de pós-plantão-bizarro, de organizar aulas com conteúdo e pouca enrolação, dissecções objetivas e instrutivas, internos!!, discutir no ambulatório, explicar onde é o raio do corneto inferior.... Eu tenho um sonho de representar o lugar de onde venho para o lugar de onde vim... Sonho de menina, igualzinho eu sonhava entrar na USP mesmo sem nem saber exatamente o que era uma faculdade.... Mas para entrar na USP eu mesma me bastava, não importava se precisava de renúncia, esforço, estudo: o objetivo era perfeitamente atingível com os meus próprios meios. O crachá amarelo e azul não.
"Isso também passa".

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Antítese - o que me faz lembrar de outra figura de linguagem que não vem ao caso hoje (hoje, especialmente hoje, não).
Voltando.
Antítese - cirurgia. Na verdade não sabia que uma palavra sozinha poderia representar uma antítese. Mas no dia de hoje, para mim, esse substantivo concreto representa, sim, a abstração da antítese. Mais uma vez a sinusectomia é tema de post (e olha que escrevo tão pouco que isso até poderia ser um sinal, sei lá), um post que poderia ser radiante. Mas, literalmente, a adrenalina de uma outra sinusectomia, tornou meu dia cinzento como o temporal que está a cair lá fora. Nublado, olhar enevoado, rosto vermelho - impossível esconder. Poucas, pouquíssimas pessoas poderiam entender o que quero dizer. Post truncado. Truco! Quem estará certo, afinal? Quem pode acusar de ter feito, sem fazer nada? Quem tem coragem de defender ou acusar abertamente, olhando fixo nos olhos do réu?
Ninguém, na verdade. Não num ambiente como aquele, naquela fingida calma azul. Só se for azul de raiva (não seria roxo?).
Alguns passam, perguntam o que houve, talvez realmente se importem, talvez finjam se importar. Ou talvez tentem se importar sem realmente se importarem. Que diferença faria, agora?
Por que não fui embora antes, com o sol iluminando a calma azul, bem menos fingida calma aquela hora. Com uma empolgação antiga, bem mais antiga que esse blog. Empolgação de dar certo, de ser resolutiva, de colher frutos de uma dedicação regrada - quintas à noite, domingos de manhã (madrugada para domingos outros....). Empolgação de explorar, abrir, tirar, resolver, melhorar a vida de uma pessoa às custas do meu conhecimento, de um procedimento extremamente prazeroso de se fazer.... É um misto de alegria, compensação pelo sofrimento todo passado, esperança, saudade de ser reconhecida pelo que se faz.... Tantas emoções (quando eu estou aqui.... haha...).
E aí eu, supostamente ou não, faço uma merda - ou salvo uma vida? Nunca saberei. Nunca saberemos. Nunca poderei chorar pelo erro ou mostrar pra todo mundo que eu, sim!, estava certa. Ninguém pra me acusar ou defender. Processo arquivado, indefinidamente.